Para muitos portugueses, o reembolso do IRS é uma oportunidade para equilibrarem o orçamento familiar. Muitos utilizam-no para fazer face a despesas periódicas, como o pagamento de impostos ou a manutenção do carro. Mas há quem prefira dar-lhe outro destino e se debata, frequentemente, entre duas opções: pôr esse dinheiro a render num produto financeiro ou usá-lo para amortizar o empréstimo da casa, aliviando, dessa forma, os encargos com a habitação?
A resposta depende, sobretudo, do custo do crédito e do retorno esperado do investimento. Mas não só. Esta é uma decisão que deve ser tomada também com base nas condições de cada crédito e na situação financeira particular dos consumidores.
De seguida, mostramos-lhe, em detalhe, que critérios considerar antes de optar por uma destas soluções e que contas fazer para saber se é mais vantajoso usar o reembolso do IRS para amortizar o crédito habitação ou investir num produto de poupança.
Como decidir entre amortizar o crédito habitação ou investir o reembolso do IRS?
Comece por comparar o que paga ao banco pelo dinheiro que pediu emprestado e aquilo que pode ganhar com o investimento.
No primeiro caso, está em causa a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) do crédito, isto é, o indicador que representa o custo total do empréstimo, incluindo juros, comissões, seguros e impostos. Se a TAEG for superior à rentabilidade líquida que conseguiria obter num investimento, então, amortizar o crédito garante um ganho imediato, correspondente aos juros que está a deixar de pagar.
Por outro lado, se investir num produto financeiro com uma rentabilidade líquida – ou seja, após impostos e comissões – superior à TAEG do crédito, poderá fazer mais sentido aplicar esse dinheiro. A tabela abaixo reflete estes cenários:
Usar o reembolso do IRS para amortizar crédito: Quando faz mais sentido?
Sobretudo quando as taxas de juro estão a subir, amortizar o crédito habitação pode ser uma boa estratégia financeira. Ao reembolsar parte do crédito, está a reduzir o capital em dívida e isso tem dois efeitos imediatos:
- Diminui o montante de juros a pagar ao longo do tempo;
- Pode fazer descer a prestação mensal – em alternativa, pode manter a prestação e encurtar o prazo do empréstimo, o que aumenta ainda mais a poupança total em juros.
Além disso, ao reduzir a dívida, ficará menos sujeito à incerteza, especialmente se tiver um crédito com taxa variável.
Ainda assim, é importante lembrar que a amortização antecipada implica custos. Os bancos cobram uma comissão de 0,5% do capital amortizado, em contratos com taxa variável, e de 2%, em créditos com taxa fixa.
